Lucro das companhias aéreas chega a R$ 4,3 bilhões e aviação doméstica bate recorde histórico de passageiros
As companhias aéreas brasileiras encerraram 2025 com resultados históricos. Depois de anos marcados pelos impactos da pandemia, alta do dólar e elevação dos custos operacionais, o setor registrou lucro líquido consolidado de R$ 4,3 bilhões, segundo o Anuário do Transporte Aéreo 2025, divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
O desempenho financeiro foi acompanhado por um recorde de movimentação no mercado doméstico. Pela primeira vez na história da aviação brasileira, mais de 101 milhões de passageiros viajaram em voos nacionais durante um único ano. Foram 101,2 milhões de embarques, crescimento de 8,4% em relação a 2024, superando o antigo recorde de 96,1 milhões, registrado em 2015. No total, considerando também os voos internacionais, o Brasil transportou 129,6 milhões de passageiros em 2025.
Outro indicador que chamou atenção foi a taxa média de ocupação das aeronaves, que alcançou 83,6%, o maior índice da série histórica da ANAC. Ao mesmo tempo, a tarifa aérea doméstica média apresentou queda real de 3,3%, enquanto o yield doméstico (valor médio pago por quilômetro voado) recuou 4,9%, indicando maior eficiência operacional das empresas.
LATAM lidera mercado doméstico
A LATAM consolidou sua liderança no mercado brasileiro, transportando 39 milhões de passageiros em voos domésticos ao longo de 2025.
Participação das companhias no mercado doméstico
| Companhia | Passageiros transportados | Participação de mercado |
|---|---|---|
| LATAM | 39,0 milhões | 38,6% |
| Gol | 31,8 milhões | 31,4% |
| Azul | 30,2 milhões | 30,2% |
| Outras empresas | aproximadamente 0,2 milhão | 0,2% |
As três empresas concentraram praticamente todo o mercado doméstico brasileiro.
A LATAM ampliou em 11,5% o número de passageiros transportados e aumentou em 9,1% sua oferta de voos.
A Gol foi a companhia que apresentou o maior crescimento percentual entre as líderes, com alta de 13% no número de passageiros e expansão de 11% nas operações domésticas, recuperando participação após o desempenho mais fraco observado em 2024.
Já a Azul transportou 30,2 milhões de passageiros, crescimento de 3,2% sobre o ano anterior. Mesmo com menos voos (-2,5%), a empresa conseguiu elevar a quantidade de passageiros transportados, refletindo melhor aproveitamento das aeronaves.
Custos mais equilibrados ajudaram resultado
O relatório da ANAC mostra que parte da recuperação financeira decorreu da redução do peso do combustível nos custos operacionais.
A participação dos gastos com combustível caiu de 30,6% para 29,4% do custo total das empresas. Em contrapartida, aumentou a participação das despesas com seguros, arrendamento e manutenção de aeronaves, que passaram de 18,8% para 21,2%.
Mesmo diante desse cenário, as empresas conseguiram aumentar a ocupação dos voos, transportar mais passageiros e fechar o ano com lucro consolidado.
Setor entra em novo ciclo
Os números de 2025 consolidam a recuperação da aviação comercial brasileira e mostram um setor mais eficiente operacionalmente. O recorde de passageiros, aliado ao retorno da lucratividade, indica uma nova fase para a indústria aérea nacional.
Além de superar a marca inédita de 100 milhões de passageiros no mercado doméstico, o setor demonstrou maior capacidade de utilização das aeronaves, crescimento da demanda e recuperação do equilíbrio financeiro, fatores considerados fundamentais para sustentar novos investimentos e ampliar a conectividade aérea do país nos próximos anos.
O lucro recorde de R$ 4,3 bilhões das companhias aéreas em 2025 contrasta com a principal reclamação dos brasileiros: o preço das passagens. Enquanto o setor comemora o transporte histórico de mais de 101 milhões de passageiros e a volta da lucratividade, consumidores continuam enfrentando tarifas elevadas, resultado de um mercado concentrado em três empresas e de custos operacionais que as companhias afirmam ainda serem elevados.