
O contribuinte brasileiro tem razões para acompanhar com atenção os próximos passos da reforma tributária. Segundo a Folha de S.Paulo, a proibição das bets retirou uma fonte relevante de arrecadação prevista para o chamado Imposto Seletivo, o “imposto do pecado”. Com menos receita vindo das apostas, cresce a discussão sobre como compensar essa perda.
E é aí que acende o sinal amarelo. A própria Folha aponta que uma arrecadação menor com o Imposto Seletivo pode pressionar a alíquota da CBS, tributo que alcançará bens e serviços de maneira ampla. Antes mesmo da proibição das bets, já havia preocupação de setores econômicos com esse efeito de compensação.
Não significa, portanto, que esteja decidido um novo imposto adicional além dos tributos já criados pela reforma. O risco concreto apontado é outro: aumento das alíquotas ou maior cobrança sobre outros setores para fechar a conta. Em outras palavras, tira-se receita de um lado e surge a pressão para buscá-la em outro.
No Brasil, quando a arrecadação prevista desaparece, a pergunta quase sempre sobra para o mesmo personagem: quem vai pagar a conta? E o contribuinte já conhece bem a resposta possível.
No fim, muda-se a origem da cobrança, procura-se outro setor para pagar e a conta, direta ou indiretamente, acaba chegando ao contribuinte. Mais imposto? Mais pressão sobre quem produz e consome? Francamente: que merda!