
Numa análise a voo de pássaro – como gostava de dizer o ex-prefeito de Mossoró Dix-Huit Rosado – chama a atenção o tom assumido pela campanha presidencial nesta reta final.
No horário eleitoral, nos discursos e nas redes sociais, a temperatura subiu. Lula intensificou os ataques pessoais contra Flávio Bolsonaro, chegando, nesta terça-feira, a associar publicamente o adversário a milicianos e lavagem de dinheiro. A propaganda eleitoral petista também vem reservando espaço considerável para desconstruir a imagem do candidato do PL.
É possível interpretar essa estratégia simplesmente como o endurecimento natural de uma campanha muito disputada. Mas também é legítimo perguntar por que uma candidatura presidencial dedica tanto tempo e energia a atacar diretamente o principal adversário, em vez de concentrar sua comunicação na defesa do próprio governo.
Os números ajudam a explicar a tensão. Pesquisas divulgadas nos últimos dias mostram uma disputa estreita. No Datafolha de 28 de setembro, Lula apareceu com 40% e Flávio com 36% no primeiro turno; em cenários de segundo turno, diferentes levantamentos vêm registrando diferenças pequenas e, frequentemente, empate técnico. Já o AtlasIntel/Bloomberg divulgado dia 29 registrou 47,6% para Lula e 47,7% para Flávio num eventual segundo turno – diferença estatisticamente irrelevante.
Portanto, talvez a pergunta mais interessante não seja afirmar que existe desespero, mas observar o que a própria estratégia de comunicação revela: se Flávio Bolsonaro não representasse uma ameaça eleitoral relevante, por que ocuparia tamanho espaço na campanha do presidente?
E daí nasce a pergunta que, nesta reta final, ganha ainda mais força:
Flávio vai ganhar a eleição?
Embora as pesquisas não permitam responder com segurança, a pergunta não é uma provocação retórica. A disputa está suficientemente apertada para que ela seja colocada e, o mais revelador, o comportamento do seu adversário central, o presidente Lula, sinaliza nesse sentido.