“SE UMA BOA CAMPANHA NEM SEMPRE PODE GARANTIR A VITÓRIA, FUGIR DAS REGRAS DE COMUNICAÇÃO POLÍTICA, EM CONTRAPARTIDA, SEMPRE PRODUZ EFEITOS NEGATIVOS” JACQUES SÉGUÉLA
A cidade das lombadas

E, aos poucos, Natal vai virando uma cidade de lombadas. Elas se espalham pelas ruas e avenidas como a confissão física da incapacidade de organizar, fiscalizar e fazer funcionar o trânsito pelos meios normais de uma cidade civilizada.
Já apareceram na Avenida Deodoro da Fonseca, próximo à descida para o Baldo. Duas foram instaladas na Avenida Jaguarari, no Barro Vermelho. Outra surgiu na Avenida Beira Canal, logo depois da Régulo Tinoco. Colocaram também uma na Rua Dr. Barata, na Ribeira. E a lista vai crescendo.
É uma mentalidade preocupante: quando o poder público não consegue controlar velocidade, disciplinar motoristas, fiscalizar infrações e fazer cumprir a legislação, atravessa-se um obstáculo no asfalto. Em vez de gestão, lombada. Em vez de fiscalização, lombada. Em vez de tecnologia, engenharia de tráfego e planejamento, lombada.
Natal pretende ser moderna, turística, dinâmica, uma cidade em movimento. Mas vai sendo retalhada por barreiras físicas que obrigam milhares de motoristas – sobretudo os que dirigem corretamente – a frear, passar pelo obstáculo e acelerar novamente. É a precariedade transformada em política de trânsito.
E há algo ainda mais grave por trás disso: a naturalização da solução medíocre. Aceita-se que, como alguns não respeitam as regras, todos devem ser submetidos ao obstáculo. É quase uma declaração de desistência da autoridade pública: já que não conseguimos fiscalizar, levantamos o asfalto.
Lombadas podem até ser justificáveis em situações específicas e tecnicamente demonstradas. O problema é transformá-las em resposta automática para qualquer dificuldade de trânsito. Uma cidade moderna não pode ter como projeto de mobilidade uma sucessão interminável de quebra-molas.
A mediocridade urbana também se constrói. Em Natal, pelo visto, está sendo construída alguns centímetros acima do asfalto.
Uber: cancelamentos demais

O blog tem recebido reclamações de usuários da Uber em Natal sobre cancelamentos frequentes de corridas depois de aceitas pelos motoristas. A situação, segundo os relatos, vem causando demora, transtornos e insegurança para quem depende do serviço.
Também há queixas sobre motoristas com pouco conhecimento da cidade, excessivamente dependentes do GPS até mesmo em trajetos conhecidos. Mas são os cancelamentos sucessivos que mais incomodam: o passageiro solicita, espera, acompanha a aproximação do carro e, de repente, fica sem a corrida.
A Uber precisa olhar com atenção para o que está acontecendo em Natal, verificar a frequência desses cancelamentos e esclarecer quais providências adota quando a prática se torna recorrente.
Tecnologia ajuda muito. Mas aplicativo nenhum substitui aquilo que deveria ser básico em qualquer serviço: confiabilidade e respeito ao consumidor.
A Uber deve uma explicação aos usuários de Natal.
Flávio amplia o arco de apoios
Flávio Bolsonaro começou o segundo turno ampliando rapidamente seu arco de alianças. Depois das manifestações de apoio de Romeu Zema e Michel Temer, ontem foi a vez de Ronaldo Caiado, adversário no primeiro turno, anunciar que estará com o candidato do PL.
O movimento ganhou ainda mais peso com a decisão da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, de apoiar oficialmente Flávio. A decisão foi tomada por unanimidade, com fechamento de questão em favor do candidato. No primeiro turno, a federação havia optado pela neutralidade.
Flávio tenta, assim, transformar a vantagem obtida nas urnas no primeiro turno em ampliação de sua base política, reunindo antigos adversários, lideranças de centro e partidos que até então estavam fora de seu palanque.
Enquanto isso, Lula procura levar o segundo turno para o debate social, colocando o fim da escala 6×1 entre suas principais bandeiras e pressionando Flávio a se posicionar sobre o tema.
O desenho inicial das estratégias está posto: Flávio corre para ampliar alianças; Lula tenta ampliar a pauta social. A partir de agora, a questão é saber qual desses movimentos terá maior capacidade de chegar ao eleitor.
Neutralidade existe em política?
Álvaro Dias saiu das urnas com 530.580 votos e, mesmo fora do segundo turno, tornou-se uma peça importante na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. Agora, defende que o PL adote uma posição de neutralidade entre Allyson Bezerra e Cadu de Lula.
Mas há uma contradição política evidente nessa posição: quem disputa uma eleição apresenta ideias, critica adversários, defende um projeto e pede ao eleitor que faça uma escolha. Quando chega o segundo turno, declarar neutralidade também produz consequências políticas.
Álvaro afirma que não apoia Allyson por considerá-lo um mau gestor e rejeita Cadu por divergências ideológicas. São razões que explicam sua decisão. Mas não eliminam uma pergunta inevitável: depois de pedir a confiança de mais de meio milhão de potiguares para governar o Estado, é razoável não dizer qual dos dois projetos restantes considera mais próximo – ou menos distante – daquele que apresentou nas urnas?
Na prática, neutralidade política não significa ausência de posicionamento. Não escolher também é uma escolha. E, numa eleição tão apertada – apenas 15.509 votos separaram Allyson e Cadu no primeiro turno – até ficar em cima do muro pode ter peso eleitoral.
Álvaro tem todo o direito de não apoiar nenhum dos dois. Mas seus 530 mil eleitores também têm o direito de perguntar: afinal, qual é o caminho?
Urnas mostram o limite da força dos prefeitos
O resultado do primeiro turno deixou uma constatação importante na política do Rio Grande do Norte: apoio de prefeito não significa, necessariamente, voto transferido para o candidato apoiado.
Às vésperas da eleição, Álvaro Dias aparecia com a maior rede de prefeitos aliados: eram 68 municípios, contra 56 de Allyson Bezerra e 43 de Cadu. Nas urnas, entretanto, Álvaro terminou em terceiro lugar, com 26,71% dos votos, e ficou fora do segundo turno.
O contraste fica ainda mais evidente quando se observa o mapa eleitoral. Cadu, que tinha a menor base de prefeitos entre os três principais candidatos, foi o mais votado em 74 municípios. Allyson venceu em 65 e Álvaro, apesar de possuir o maior número de prefeitos aliados, venceu em apenas 28.
É uma demonstração de que a força das máquinas municipais tem limites. Prefeitos ajudam na estrutura, na mobilização e na articulação política, mas não são donos dos votos de seus municípios.
O eleitor mostrou que ouve o prefeito, mas, na hora da urna, a decisão continua sendo dele.
Pílulas
- PONTES SENDO CONSTRUÍDAS – A conversa de Rogério Marinho com o presidente do STF, Edson Fachin, pode ser um primeiro movimento para reduzir a temperatura entre o Supremo e a oposição. Marinho falou em normalizar as relações entre os Poderes e garantiu que não haverá “vingança”, mas avisou: diante de eventuais crimes de responsabilidade, o Senado não deverá se omitir. Diálogo, sim. Cheque em branco, não
- ARQUIVADO – Gilmar Mendes arquivou a investigação contra Alfredo Gaspar, candidato a vice de Flávio Bolsonaro, por suspeita de estupro de vulnerável. A decisão acompanhou manifestação da PGR, que apontou falta de provas e contradições nos depoimentos. Uma acusação gravíssima que, às vésperas do segundo turno, sai do tabuleiro eleitoral por decisão do próprio Supremo.
- DÉBORA EM CASA – Alexandre de Moraes concedeu progressão ao regime semiaberto para Débora Rodrigues dos Santos, a cabeleireira conhecida como “Débora do Batom”, mantendo-a em prisão domiciliar. A decisão reconhece o cumprimento dos requisitos legais para a progressão. Depois de um caso que se tornou símbolo das controvérsias sobre as penas do 8 de Janeiro, a Justiça começa, ainda que lentamente, a aliviar o peso da condenação.
- VISITA DO FILHO – A Procuradoria-Geral da República não se opôs ao pedido de Jair Bolsonaro para receber a visita do filho Flávio Bolsonaro. Agora, a decisão está nas mãos de Alexandre de Moraes. Em meio ao segundo turno e depois de meses de restrição ao encontro entre pai e filho, a manifestação da PGR retira um importante obstáculo jurídico à visita.
- O mercado financeiro brasileiro encerrou esta terça-feira (6) em ritmo de acomodação depois da forte disparada registrada na segunda-feira. O Ibovespa caiu 0,52%, aos 205.835 pontos, em um movimento de realização de lucros após a Bolsa ter avançado 7,70% no pregão anterior, na reação ao resultado do primeiro turno das eleições.
- No câmbio, porém, o movimento positivo para os ativos brasileiros continuou. O dólar comercial recuou 0,52% e fechou a R$ 4,9756, consolidando-se abaixo da barreira dos R$ 5. O euro comercial também caiu, encerrando negociado a cerca de R$ 5,60.
- Lionel Messi se despediu nesta terça-feira (6) da seleção argentina como talvez só os grandes gênios consigam: jogando, decidindo e emocionando. Diante de mais de 85 mil torcedores no Monumental de Núñez, em Buenos Aires, a Argentina venceu Benin por 3 a 0, com um gol e duas assistências do camisa 10.
- Foram 21 anos vestindo a camisa da Argentina, 208 jogos e 126 gols. Uma trajetória que atravessou críticas, derrotas e frustrações até chegar à consagração definitiva, com duas Copas América e, sobretudo, o título mundial de 2022.
- A propaganda eleitoral gratuita de Lula e Flávio Bolsonaro volta ao rádio e à televisão nesta sexta-feira, dia 9. Os dois candidatos terão tempos iguais. Flávio abre o primeiro programa e Lula aparece em seguida. A ordem será alternada nos programas seguintes.
- O Datafolha divulga nesta quinta-feira sua primeira pesquisa do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. O levantamento ouvirá 2.520 eleitores e terá margem de erro de dois pontos percentuais.
- A nova pesquisa ganha ainda mais importância depois da diferença registrada entre o último levantamento do instituto, divulgado em 3 de outubro, e o resultado das urnas. O Datafolha apontava Lula com 45% e Flávio Bolsonaro com 42%. Nas urnas, Flávio chegou a 47,03% dos votos válidos — mais de cinco pontos percentuais acima do percentual indicado pela pesquisa.
- Agora, além de medir a nova correlação de forças no segundo turno, o levantamento será observado também como um teste para o próprio Datafolha.
- O presidente Lula deverá desembarcar no RN neste sábado. A visita foi confirmada por Fátima Bezerra e Cadu após reunião em Brasília. A estratégia é dupla: ampliar a votação de Lula no Estado e reforçar a candidatura de Cadu ao Governo. A data ainda não foi anunciada.
Aniversariantes
Parabéns aos aniversariantes desta quarta-feira, 07 de outubro: Eider Melo de Andrade Filho, Clédina Chianca Lemos, Letícia Galvão Ferreira de Souza, Arnaldinho Pires, Pedro Siqueira, Paulo Negreiros, Karyne Rêgo, Gustavo Lamartine, Dayanne Paula Nobre, Riva Júnior, Evadio Pereira, Sandra Gomes, Joelma Oliveira
Manchetes
Folha de S.Paulo – Flávio Bolsonaro fala em mudar a Constituição para ´redemocratizar o país´
O Globo – Flávio amplia apoios e, sem detalhar, fala em ´mudar Constituição` e ´redemocratizar país´
O Estado de S. Paulo – Flávio prevê ´redemocratizar` o País e chefe de campanha do PL leva recado ao STF
Tribuna do Norte – Alcolumbre prevê primeira votação do fim da escala 6×1 antes do 2º turno
Efemérides – Hoje é...
Dia do Trabalho Decente – Dia do Compositor Brasileiro – Dia do Perdão e da Felicidade – Dia do Algodão – Dia dos Calvos – Dia da Beleza Interior