Antes do início oficial da campanha de rua, o cenário da disputa pelo Senado no Rio Grande do Norte segue amplamente aberto. As pesquisas divulgadas ao longo dos últimos meses apontam uma constante: o senador Styvenson Valentim entra na corrida como favorito a conquistar uma das duas vagas em disputa. Já a segunda cadeira permanece como o principal campo de batalha da eleição.
A partir de 16 de agosto, quando a legislação eleitoral autoriza comícios, caminhadas, carreatas e a intensificação da propaganda, a campanha para o Senado no Rio Grande do Norte deixará definitivamente o terreno das especulações para ingressar no campo onde, historicamente, muitas eleições são redefinidas: o contato direto com o eleitor.
Até aqui, os levantamentos divulgados por diferentes institutos revelam um quadro relativamente estável. O senador Styvenson Valentim chega à largada como franco favorito para assegurar uma das duas vagas em disputa. Seu desempenho nas pesquisas tem sido consistente, independentemente da metodologia empregada, o que lhe confere uma posição privilegiada às vésperas do início oficial da campanha.
Mas eleição não se ganha em julho, nem se perde em agosto. A máxima da política continua atual: campanha se sabe como começa, jamais como termina.
Se a primeira vaga parece, neste momento, caminhar para uma disputa em que Styvenson larga à frente, a segunda permanece aberta. A senadora Zenaide Maia tem apresentado regularidade nos levantamentos, aparecendo, na maior parte deles, em posição confortável na disputa pela renovação do mandato. Em alguns cenários, entretanto, o crescimento de Rafael Motta o coloca muito próximo, e, em determinadas pesquisas, até mesmo em situação de empate técnico com a atual senadora. E há os demais candidatos que podem surpreender durante a campanha.
É justamente nessa disputa pela segunda vaga que reside a principal incógnita da eleição potiguar. O peso das alianças políticas, da estrutura partidária e da capilaridade municipal certamente terá influência. No entanto, há uma questão que atravessa toda a campanha de 2026: as emendas parlamentares serão, de fato, o elemento decisivo para a definição do voto?
Nos últimos anos, consolidou-se no ambiente político brasileiro a percepção de que a capacidade de destinar recursos aos municípios passou a ser um dos principais ativos eleitorais. Prefeitos, lideranças locais e parlamentares construíram uma nova dinâmica de relacionamento institucional baseada na entrega de obras, equipamentos e investimentos.
Contudo, a história eleitoral ensina que nem sempre a matemática das emendas se converte automaticamente em votos. Há fatores intangíveis que continuam exercendo enorme influência sobre o eleitor: a narrativa construída durante a campanha, a capacidade de comunicação, o desempenho nos debates, o sentimento predominante da população e os acontecimentos das últimas semanas antes da votação.
Em outras palavras, a eleição para o Senado no Rio Grande do Norte ainda está longe de ter um roteiro definitivo. Styvenson larga na dianteira, Zenaide demonstra resiliência eleitoral e Rafael Motta busca consolidar o espaço que as pesquisas começam a lhe atribuir. O restante será decidido nas ruas.
A partir de agosto, o eleitor passará a ouvir menos os analistas e mais os candidatos. E, em política, há uma verdade que atravessa gerações: mandato ajuda, estrutura fortalece, emendas contam, mas é a campanha que transforma intenção em voto.
No fim das contas, a pergunta que permanecerá até outubro é simples: o Rio Grande do Norte elegerá os senadores das emendas ou os senadores da campanha?