Uma coisa parece consenso neste início de pré campanha política: o que mais se vê por aí é mentira. De todos os tamanhos, com todos os agentes públicos, contra todos os políticos e para todos os lados. A impressão que fica é de que a sociedade, e especialmente o ambiente político, mergulhou numa realidade em que a distorção dos fatos se tornou rotina.
Basta observar o cotidiano. Obras prometidas sem projeto ou orçamento aprovado, anúncios e inaugurações de serviços que ainda não estão funcionando, números de empregos inflados, dados apresentados fora de contexto, equipamentos apenas reformados anunciados como se fossem novos. Some se a isso declarações negadas no dia seguinte, responsabilidades empurradas para gestões passadas e obras de outros entes assumidas como próprias. São pequenas e grandes distorções que, somadas, alimentam um ambiente de permanente desinformação.
Não se trata apenas de boatos isolados ou exageros pontuais. São versões fabricadas, recortes convenientes, acusações sem comprovação e narrativas construídas para confundir. Nesse cenário, o debate perde qualidade, a discussão pública se empobrece e o eleitor passa a ter mais dificuldade para separar informação de manipulação.
Curiosamente, os mais cínicos evitam até mesmo usar a palavra mentira. Preferem recorrer ao termo “fake news”, como se o uso da expressão em inglês suavizasse a gravidade do problema. Mas, no fundo, trata se do mesmo fenômeno: a circulação deliberada de conteúdos falsos com objetivo político.
Cresce, assim, a responsabilidade de quem comunica, de quem compartilha e de quem consome informação. Mais do que nunca, o desafio não é apenas participar do debate público, mas proteger a verdade em meio a um barulho cada vez maior.