Começam a surgir as primeiras divergências internas no PT em torno das candidaturas de Cadu Xavier e da governadora Fátima Bezerra. Embora ainda tratadas nos bastidores, há posições divergentes já esquentando os tamborins da insatisfação.
De um lado, a governadora e seus seguidores mais fiéis defendem a necessidade de articulação política para a construção de uma chapa forte, com ampliação de apoios e, sobretudo, com um nome capaz de liderar o processo eleitoral. Nesse campo, a candidatura de Fátima Bezerra ao Senado é vista como estratégica e inegociável.
Do outro lado, um grupo mais decidido no apoio à candidatura do secretário Cadu Xavier sustenta, inclusive, a possibilidade da governadora não se licenciar do cargo para disputar o Senado, permanecendo no governo até o fim do mandato. A avaliação é de que isso daria mais estabilidade administrativa e abriria espaço para Cadu consolidar seu nome.
A posição mais firme e explícita, até aqui, é a da vereadora Samanda Alves, presidente do PT, que defende a candidatura de Fátima Bezerra ao Senado sem qualquer outra alternativa. É um antagonismo claro em relação aos que apostam na permanência da governadora no governo.
Os argumentos circulam com força nos bastidores. Um deles, repetido sem muito pudor, é que “Cadu só tem a receber, não tem nada a entregar”, numa referência direta à falta de liderança política e, consequentemente, de votos. E ressaltam que a governadora reúne atributos difíceis de substituir: liderança consolidada, o peso da máquina governamental e, principalmente, o apoio do presidente Lula, ainda muito forte no Nordeste.
Pelo andar da carruagem, os murmúrios tendem a ganhar volume e podem evoluir para uma crise interna no PT. Vale a pena botar o ouvido no chão.