O debate da Band entre Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad terminou diante das câmeras, mas o confronto político continuou nos bastidores.
Durante as considerações finais do debate, Haddad criticou a gestão de Ricardo Nunes e, dirigindo-se a Tarcísio, afirmou que o prefeito, mesmo com R$ 80 bilhões em caixa após o fim da dívida, estaria endividando a cidade em R$ 50 bilhões. Também citou o contrato de Wi-Fi e fez acusações relacionadas ao PCC e ao filme de Bolsonaro.
Ao final da transmissão, Nunes abordou Haddad e o pegou pelo braço. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, do Grupo Prerrogativas, interveio e afastou Haddad para evitar que o episódio evoluísse para uma discussão mais acalorada.
Depois, Nunes explicou a abordagem:
“Eu fui falar pra ele ter responsabilidade e ser homem. E não ter esse tipo de atitude de algo que não existe absolutamente nada de errado da minha parte.”
Na sequência, o prefeito também atacou o desempenho eleitoral de Haddad:
“É o que vem de um cara que quando foi candidato na sua reeleição, teve só 16% dos votos. Perdeu para votos brancos e nulos.”
Antes disso, ao responder às críticas de Haddad, Tarcísio havia ouvido do petista:
“Vai com calma, pega leve, não abusa da retórica, porque eu não te desrespeitei e não gostaria de ser desrespeitado nos nossos próximos embates.”
A retórica, entretanto, não ficou no palco. Foi para o corredor.
E há uma questão política importante por trás disso: quando uma acusação feita diante de milhões de espectadores é considerada grave o suficiente para provocar uma abordagem pessoal imediatamente após o debate, fica evidente que o conteúdo da campanha já ultrapassou a disputa de argumentos e entrou no território da responsabilização pública.
Política é confronto. Democracia é confronto. Mas há uma diferença entre confrontar ideias, cobrar responsabilidades e transformar a disputa eleitoral em duelo pessoal.
A cena da saída da Band talvez seja apenas um episódio de uma campanha que ainda está começando. Mas é também um aviso sobre o que vem pela frente.
Se no primeiro grande embate já foi preciso apartar os adversários depois que as câmeras foram desligadas, é melhor preparar o telespectador porque a eleição paulista promete muito mais do que debates.