O Rio Grande do Norte finalmente encontrou o grande debate da pré-campanha ao governo do Estado: o chapéu de couro.
Isso mesmo. Depois de anos enfrentando uma das piores educações do Brasil no IDEB, hospitais onde falta de tudo – menos fila -, estradas esburacadas, insegurança, desemprego e um desenvolvimento econômico que parece andar de jegue cansado, eis que surge a pauta definitiva para mudar o futuro potiguar: o acessório de cabeça do pré-candidato Alysson.
Bastou um comentário atravessado do senador Rogério Marinho e pronto: o RN mergulhou numa profunda crise institucional sobre quem pode ou não usar chapéu de couro. Sociólogos já estudam o impacto geopolítico da aba larga. Especialistas avaliam se o formato do couro interfere no PIB. Há quem defenda até uma CPI da fivela.
Enquanto isso, educação? Depois a gente vê.
Saúde? Um detalhe.
Projeto de desenvolvimento? Calma, não vamos atropelar as prioridades.
Afinal, o futuro do Rio Grande do Norte agora depende da grande pergunta nacional:
“mas esse chapéu é legítimo ou é cenográfico?”
Como se o chapéu de couro não fosse um símbolo histórico do sertão, da cultura nordestina e da identidade do povo potiguar desde muito antes de existir marqueteiro, pesquisa eleitoral e vídeo de TikTok.
No ritmo atual, a próxima grande pauta da campanha deve ser a autenticidade da sandália de couro, seguida pela investigação sobre quem tem mais propriedade para comer buchada.
E o RN, parado no tempo, segue assistindo tudo da arquibancada, de chapéu na cabeça e sem rumo na gestão.
Senhor, dai-me paciência para suportar tanta genialidade.