As dez cidades mais violentas do Brasil estão no Nordeste. O dado, revelado pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, é mais do que uma estatística: é uma denúncia contundente sobre o avanço da violência e a incapacidade do poder público de oferecer segurança à população.
No topo desse ranking vergonhoso está Maranguape, no Ceará, com uma taxa de 100,3 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes. Um número estarrecedor, incompatível com qualquer ideia de normalidade e que deveria provocar indignação nacional.

Quando as dez primeiras posições pertencem à mesma região, não estamos diante de casos isolados, mas do retrato de uma crise profunda. O Nordeste, berço de uma das culturas mais ricas do país, também se tornou palco da expansão das facções criminosas, da disputa por territórios e da fragilidade das políticas de segurança pública.
Maranguape deixa de ser apenas uma cidade e passa a simbolizar uma realidade que muitos insistem em ignorar: o Brasil falhou em proteger seus cidadãos. E a pergunta que permanece é tão simples quanto incômoda: quantas vidas ainda precisarão ser perdidas para que a segurança pública deixe de ser peça de propaganda e volte a ser uma obrigação do Estado?
Os números falam por si. E eles são implacáveis.