Operação Depena Petrópolis: adeus à sombra.
Tem algo estranho acontecendo nas copas das árvores de Petrópolis. Quem passa pela Avenida Afonso Pena ou pela Avenida Rodrigues Alves tem a nítida impressão de que as árvores cometeram algum crime gravíssimo, talvez até excesso de sombra em horário comercial.
O que está sendo vendido como poda parece mais um reality show radical: desafio da depenação urbana. As pobres coitadas, que antes faziam aquela sombra verde charmosa, agora estão com o visual galho conceito minimalista.
E com o grito de socorro entalado nos galhos sem verde.
Folha? Só na lembrança. Sombra? Em fotografia.
E olhe que estamos falando de Petrópolis, bairro que sempre se orgulhou do verde, da caminhada agradável, da brisa que dá uma trégua no calor de Natal. Mas pelo andar da carruagem, puxada por dois cavalos suando, a meta é transformar a experiência numa simulação oficial do Saara, versão Potiguar.
Se continuar nesse ritmo de depenação paisagística, a cidade que já está quentíssima vai ganhar o título de Natal: capital mundial da vitamina D compulsória. Caminhar ao meio-dia vai exigir protetor solar fator 200, chapéu de cangaceiro e talvez uma garrafinha de água benta.
Ninguém é contra poda. Poda é necessária, técnica, saudável. Agora, o que estamos vendo é um antes e depois financiado pela miopia urbana e pelo eterno talento humano de transformar sombra em saudade.
Enquanto isso, o sol agradece. Nunca brilhou tanto. Literalmente.