Rio grande da morte
Rio grande sem sorte
Rio grande sem forte
Rio Grande do Norte
Rio pequeno do Norte
Rio finito do corte
Rio seco de sorte
Rio Grande do Norte
Rio sem cais sem porto
Rio você já foi morto
Rio de leito torto
Rio chorando de fome
Rio triste sem nome
Rio cansado que some

Esse poema de Bosco Lopes, intitulado “Riogrande”, é uma crítica poética de forte carga simbólica ao Rio Grande do Norte. A repetição de “Rio Grande” e “Rio” cria um jogo de palavras que, ao mesmo tempo em que remete ao nome do Estado, constrói a imagem de um território que perdeu grandeza, força e perspectivas.
O contraste é particularmente contundente em versos como “Rio grande da morte / Rio grande sem sorte” e “Rio pequeno do Norte / Rio finito do corte”. O poeta desconstrói a ideia de “grandeza” associada ao nome do Estado e a substitui por imagens de escassez, abandono e sofrimento.
Na parte final, “Rio sem cais sem porto / Rio você já foi morto”, a metáfora ganha dimensão política e social: o Estado aparece como um lugar sem rumo, sem ponto de chegada e sem perspectivas. E os versos “Rio chorando de fome / Rio triste sem nome / Rio cansado que some” fecham o poema com uma imagem de profundo desencanto.
É um poema duro, mas justamente por isso muito expressivo: Bosco Lopes transforma o próprio nome do Estado em uma espécie de lamento sobre o seu presente.