11 de setembro: 25 anos depois, o mundo ainda carrega os escombros.

Homens e mulheres se jogavam das janelas a centenas de metros de altura. Não porque quisessem morrer, mas porque, entre o fogo e o vazio, já não havia escolha. Lá embaixo, Nova York assistia, impotente, ao inimaginável. Pouco depois, as Torres Gêmeas desabavam diante dos olhos do mundo.
Hoje completam-se 25 anos do 11 de setembro de 2001.
Quase três mil pessoas morreram naquele dia. Mas seria um erro imaginar que a tragédia terminou quando a poeira baixou sobre Manhattan. O 11 de Setembro mudou o mundo – e não necessariamente para melhor.
O terrorismo mostrou sua face mais brutal. E a resposta ao terrorismo abriu outro capítulo igualmente sombrio da história contemporânea.
Em nome da segurança, vieram guerras, invasões, prisões secretas, tortura, vigilância em massa e restrições de direitos. O Afeganistão foi invadido. O Iraque foi atacado sob a alegação da existência de armas de destruição em massa que jamais foram encontradas. Governos caíram, países foram devastados e centenas de milhares de pessoas morreram nas guerras e conflitos que se seguiram.
Os Estados Unidos venceram batalhas, eliminaram Osama bin Laden e gastaram trilhões de dólares. Mas, 25 anos depois, permanece uma pergunta desconfortável: venceram a guerra?
O terrorismo não desapareceu. O extremismo encontrou novas bandeiras, novos territórios e novas ferramentas. O medo tornou-se argumento político. A vigilância tornou-se cotidiana. E guerras que deveriam ensinar à humanidade o preço da intolerância continuam sendo travadas diante dos nossos olhos.
Há uma ironia amarga nisso tudo. Os terroristas queriam atingir símbolos do poder americano. Derrubaram duas torres. Mas o impacto daquela manhã foi muito maior: ajudou a inaugurar uma era em que sociedades inteiras passaram a aceitar menos liberdade em troca da promessa de mais segurança.
Por isso, lembrar o 11 de Setembro não pode significar apenas rever as imagens dos aviões, das explosões e das torres desmoronando.
É preciso lembrar os bombeiros que subiram enquanto milhares desciam. Os passageiros que jamais chegaram aos seus destinos. As famílias que receberam um último telefonema. Os homens e mulheres que saltaram porque o fogo lhes roubara qualquer alternativa.
E é preciso lembrar também tudo o que veio depois.
Vinte e cinco anos se passaram. As Torres Gêmeas caíram em poucas horas. Os escombros políticos, militares e humanos daquele dia, porém, ainda estão espalhados pelo mundo.
Talvez essa seja a imagem mais dura do 11 de Setembro: as torres pararam de cair em 2001. O mundo, em muitos aspectos, ainda não.