Fiscalização ou indústria da multa?
Os radares eletrônicos espalhados por Natal deixaram de ser vistos apenas como instrumentos de educação no trânsito e passaram a representar, para grande parte da população, uma verdadeira indústria da multa. Instalados sem debate público e com pouca transparência, muitos desses equipamentos parecem atender mais a interesses arrecadatórios do que educativos.
Basta circular pelas principais avenidas estaduais que cortam a cidade — Roberto Freire, Via Costeira, Estrada da Redinha e o prolongamento da Prudente de Morais — ou pela BR-101, dentro do perímetro urbano, para perceber a quantidade de radares, além dos inúmeros equipamentos instalados em sinais e cruzamentos de Natal.
A sociedade precisa saber, de forma clara e acessível, quanto cada radar arrecada e para onde vai esse dinheiro. Quanto entra nos cofres municipais, estaduais e federal? Esses recursos estão sendo efetivamente revertidos em melhorias no trânsito, sinalização, educação viária e segurança?
Essa discussão exige transparência ativa e não dados escondidos em portais pouco acessíveis. Também demanda a atuação do Ministério Público, para garantir que a população tenha ciência dos valores arrecadados e da real destinação desses recursos.
Outro ponto crítico é a incoerência dos limites de velocidade. Em uma mesma avenida, radares impõem velocidades diferentes, sem justificativa técnica visível, confundindo o motorista e reforçando a sensação de armadilha.
Enquanto o cidadão pisa no freio, o poder público acelera na arrecadação. E isso precisa ser explicado com critério, coerência e respeito, porque transparência é obrigação, não favor.