Lombadas: a derrota da civilidade. Ou a vitória da mediocridade
Natal está se transformando, aos poucos, numa cidade de lombadas. Outro dia, chamei a atenção para a proliferação desses obstáculos na Zona Leste. Agora, circulando pela Zona Sul, encontrei lombadas instaladas em ruas de Capim Macio. A impressão é de que estamos institucionalizando a ideia de que o motorista só respeita as regras quando é obrigado a frear.
A lombada é, antes de tudo, um atestado da derrota da civilidade. É a substituição da educação pela imposição física, da fiscalização pelo obstáculo, do respeito às leis pela ameaça de danos ao veículo. Em vez de investir numa cultura de responsabilidade no trânsito, escolhe-se o caminho mais rudimentar: espalhar elevações pelo asfalto.
Sou radicalmente contra essa banalização das lombadas. Segurança no trânsito se constrói com educação, sinalização adequada, fiscalização inteligente e planejamento urbano. Redutores físicos podem ter aplicações excepcionais, tecnicamente justificadas, mas não deveriam se transformar na resposta automática para qualquer problema de circulação.
Uma cidade que precisa multiplicar lombadas para conseguir que suas regras sejam respeitadas está revelando uma preocupante falência da educação para o trânsito. Natal precisa avançar em civilidade, não transformar suas ruas numa interminável pista de obstáculos.
A cidade das lombadas
E a lista não para de crescer. Aos poucos, ruas e avenidas de Natal vão sendo transformadas em pistas de obstáculos. Vamos abrir espaço para relacionar os locais onde as lombadas já foram instaladas, revelando a dimensão dessa verdadeira epidemia urbana.
Confira a lista de ruas e avenidas que já ganharam lombadas:
▪ Avenida Deodoro da Fonsêca
▪ Avenida Jaguarari – Barro Vermelho
▪ Avenida Walter Duarte – Capim Macio
▪ Avenida Beira Canal
▪ Rua Dr. Barata – Ribeira