Mandato-tampão.
A possibilidade de vacância simultânea dos cargos de governador e vice-governador do Rio Grande do Norte abriu, nos bastidores da política estadual, uma disputa silenciosa e estratégica em torno do chamado mandato tampão, aquele exercido de forma indireta, escolhido pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, para concluir o período restante da gestão.
A governadora Fátima Bezerra tem reiterado publicamente a intenção de renunciar ao cargo para disputar uma vaga no Senado Federal. O vice-governador Walter Alves, por sua vez, também já manifestou o propósito de deixar o posto para concorrer a uma cadeira na Assembleia Legislativa. Confirmado esse cenário, caberá aos deputados estaduais eleger, de forma indireta, o novo chefe do Executivo estadual, que assumirá a missão de conduzir o governo até o fim do mandato.
Curiosamente, o que inicialmente parecia uma responsabilidade indesejada passou a despertar interesse a partir da mobilização espontânea de setores da sociedade, que passaram a defender o nome do empresário Paulo Rocha, o Paulinho Buda. A repercussão do nome dele funcionou como um divisor de águas. A partir desse movimento, diversos atores políticos passaram a manifestar disposição para disputar o mandato tampão, numa clara demonstração de que o cargo, antes visto como um fardo, passou a ser percebido como uma oportunidade estratégica.
Hoje, há pelo menos três grupos políticos distintos dentro da Assembleia, nenhum deles com força suficiente, isoladamente, para eleger um nome. Esse equilíbrio de forças impõe a necessidade de diálogo e articulação em busca de uma candidatura de consenso. Nesse ambiente, surgem diariamente novos nomes, muitos deles interpretados como balões de ensaio, lançados para medir a receptividade interna e a reação da opinião pública.
Entre os nomes que circulam, o do atual secretário estadual de Agricultura, Guilherme Saldanha, é apontado como aquele que encontrou melhor ressonância no parlamento. Amigo pessoal do deputado Ezequiel Ferreira e figura respeitada em diferentes correntes políticas, Guilherme reúne características consideradas essenciais para um mandato de transição.
Descrito por parlamentares como um quadro moderado, técnico e equilibrado, ele tem a seu favor a capacidade de diálogo, a confiança do grupo governista e o respeito de setores independentes. Além disso, sua longa experiência na administração pública e o conhecimento da máquina estadual são vistos como ativos importantes para garantir estabilidade institucional. Como resumiu um deputado experiente da Casa: “Guilherme não é radical, é competente, se relaciona bem com todos, conhece profundamente o funcionamento do Estado e tem a confiança do governo.”
Ainda assim, permanece a incógnita central: se Guilherme Saldanha aceitará ou não uma eventual indicação. Enquanto isso, o cenário segue aberto, marcado por articulações intensas, cautela estratégica e a busca por um nome capaz de unificar interesses e garantir governabilidade em um momento decisivo da política potiguar.