Comunicação que Gera Valor: A Visão de Dannilo Mandu sobre Marca, Cooperativismo e Relacionamento
Quem é Dannilo Mandu
Comunicador por vocação e estrategista por escolha, Dannilo Mandu atua como Analista Sênior na Unidade de Comunicação e Marketing do Sicoob Central Nordeste. É formado em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, possui MBA em Marketing e especialização em Digital Business Essentials pela HSM University.
Construiu sua trajetória profissional conectando comunicação estratégica, negócios e pessoas, sempre com a convicção de que a comunicação deve participar ativamente das decisões organizacionais e contribuir para a geração de valor.
Ao longo de sua experiência no cooperativismo financeiro, acompanha iniciativas voltadas ao fortalecimento da marca, à construção de experiências relevantes e ao alinhamento da comunicação aos objetivos do negócio. Defende uma comunicação simples, estratégica e orientada para resultados, capaz de aproximar pessoas e ampliar o impacto positivo das organizações nas comunidades onde atuam.
1. A comunicação no sistema financeiro exige confiança. Como equilibrar clareza e estratégia sem cair em um discurso engessado?
Dannilo Mandu:
Tudo começa pelo conhecimento profundo do público e pela compreensão da dinâmica do mercado. Quem queremos alcançar? O que essa pessoa precisa entender?
Falar sobre finanças pode naturalmente criar barreiras, porque a confiança é a base de qualquer relação com o dinheiro. Na minha experiência, o segredo para reduzir essa distância está em falar de igual para igual, utilizando uma linguagem adequada para cada público.
No ambiente corporativo, é comum o uso de termos como budget, deadline e brainstorm. Porém, para quem não está familiarizado com esse vocabulário, esses termos podem gerar afastamento. Por isso, simplificar a comunicação é fundamental.
Um exemplo interessante é o próprio Banco Central do Brasil, que vem humanizando temas econômicos por meio de iniciativas como “BC Sincero” e “BC Te Explica”, levando conteúdos complexos de forma mais acessível.
No Instagram do Sicoob Nordeste, observamos que os conteúdos em vídeo desempenham um papel importante nessa aproximação. Eles permitem explicar cooperativismo financeiro, segurança digital e educação financeira de maneira leve, prática e compreensível.
2. O cooperativismo tem um diferencial forte. Como o Sicoob faz para mostrar isso à população?
Dannilo Mandu:
O grande diferencial do modelo cooperativo está na experiência prática vivida pelas pessoas. O propósito do Sicoob é conectar pessoas para promover justiça financeira e prosperidade, e isso vai muito além de uma mensagem institucional.
Na instituição em que atuo, acompanho de perto os impactos da expansão regional e do fortalecimento da marca nas comunidades. Um exemplo claro é a chegada de pontos de atendimento a municípios menores.
Antes da presença da cooperativa, muitas pessoas precisavam se deslocar para cidades vizinhas para realizar operações financeiras, o que concentrava o consumo e os investimentos fora de seus municípios. Com a atuação do cooperativismo, os recursos passam a circular localmente, fortalecendo a economia da própria região.
Além do impacto econômico, destaco a atuação social e educacional do Instituto Sicoob. Um exemplo são as Clínicas Financeiras, iniciativa que reúne profissionais voluntários para orientar gratuitamente a população sobre organização financeira, planejamento e investimentos, sem qualquer viés comercial.
Isso é cooperativismo na prática.
3. Em um cenário com bancos digitais crescendo rapidamente, o que realmente faz o cliente escolher ou permanecer em uma cooperativa como o Sicoob?
Dannilo Mandu:
É importante entender que o cooperativismo também é altamente tecnológico e digital. O aplicativo do Sicoob, por exemplo, é reconhecido nacionalmente por sua evolução em transformação digital e experiência do usuário.
Mas o diferencial que realmente fideliza as pessoas vai além da tecnologia. Está na essência do modelo cooperativo.
No cooperativismo, quem se associa não é apenas cliente. É também dono do negócio. O cooperado tem voz ativa, participa das decisões por meio do voto e compartilha os resultados financeiros gerados pela instituição.
Do ponto de vista da comunicação e do marketing, o relacionamento próximo é um dos principais ativos da marca. Seja nos canais digitais ou no atendimento presencial, a proximidade humana permanece como elemento central.
Enquanto boa parte do mercado bancário tradicional segue reduzindo sua presença física, o cooperativismo continua expandindo sua rede de atendimento para promover inclusão financeira, suporte consultivo e desenvolvimento regional.
4. No seu dia a dia, o que tem mais peso: performance ou construção de marca?
Dannilo Mandu:
Vejo essa relação como uma balança em constante movimento. O equilíbrio entre performance e construção de marca deve acompanhar as necessidades estratégicas de cada momento.
Por um lado, é fundamental fortalecer atributos intangíveis, como confiança, acolhimento, humanização e compromisso social. Esses elementos constroem reputação e geram valor no longo prazo.
Por outro, a comunicação também precisa contribuir diretamente para os resultados, apoiando a oferta de soluções financeiras que promovam crescimento sustentável para cooperados, comunidades e para o próprio sistema.
Busco acompanhar estratégias integradas que conectem propósito e negócio, desde campanhas de alcance nacional até ações com embaixadores de marca que ajudam a ampliar o conhecimento sobre o cooperativismo e fortalecer a conexão com diferentes públicos.
5. O mercado financeiro está cada vez mais competitivo. Na sua visão, o que vai diferenciar as instituições nos próximos anos: tecnologia, relacionamento ou posicionamento?
Dannilo Mandu:
Acredito que o futuro será definido pela combinação desses três fatores.
As organizações que liderarem o mercado serão aquelas capazes de se adaptar rapidamente às mudanças, mantendo o equilíbrio entre inovação tecnológica, relacionamento humano e posicionamento autêntico.
É indispensável oferecer ferramentas digitais eficientes e acompanhar a evolução tecnológica. Mas também é necessário preservar a proximidade com as pessoas e construir marcas que tenham propósito claro e coerente.
O desafio da comunicação é compreender diferentes perfis de público. Precisamos dialogar tanto com as gerações que resolvem toda a vida financeira pelo smartphone quanto com aquelas que valorizam o atendimento presencial, a orientação consultiva e o relacionamento pessoal.
A tecnologia continuará avançando. O diferencial estará em utilizá-la para aproximar as pessoas, e não para afastá-las.