Os números do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgados hoje pela Folha de S.Paulo são contundentes. Enquanto o Brasil registrou queda de 8,4% nas mortes violentas em 2025, o Rio Grande do Norte apresentou aumento de 19,6%, o maior percentual entre todos os estados brasileiros.

O dado é mais do que uma estatística. É um sinal de alerta.
Nos últimos anos, o RN anunciava ter conseguido reduzir seus índices de homicídios, deixando para trás parte da imagem construída na década passada, quando figurava entre os estados mais violentos do país. O crescimento atual, entretanto, indica que os avanços obtidos podem estar ameaçados.
As razões para esse aumento são diversas. A principal delas é o fortalecimento das facções criminosas, que ampliaram sua atuação para além dos grandes centros urbanos. A violência deixou de ser um problema restrito a Natal e Mossoró e passou a atingir cidades do interior, onde a presença do Estado é, historicamente, mais limitada.
Especialistas também apontam a necessidade de continuidade das políticas públicas de segurança. Resultados nessa área não são permanentes; dependem de investimentos constantes em inteligência, integração das forças policiais e combate ao crime organizado. Quando essas ações perdem intensidade, o espaço é rapidamente ocupado pela criminalidade.
Outro fator importante é a persistência de problemas estruturais, como a vulnerabilidade social, a falta de oportunidades para jovens e as fragilidades do sistema prisional, tradicionalmente utilizado por organizações criminosas para recrutamento e coordenação de ações.
O contraste é inevitável: enquanto o país avança na redução das mortes violentas, o Rio Grande do Norte segue em direção oposta. A alta de 19,6% coloca o estado diante de uma escolha: tratar o problema como uma oscilação passageira ou reconhecer que a segurança pública voltou a exigir prioridade absoluta.
Nenhuma sociedade se acostuma com a violência sem pagar um preço elevado. Cada número representa uma vida perdida, uma família marcada e um pedaço da confiança coletiva que desaparece.
Se o Brasil está conseguindo reduzir a violência, o Rio Grande do Norte precisa entender, com urgência, por que continua caminhando na contramão.
O Rio Grande do Norte já convive com a pior educação de nível médio do país, enfrenta uma saúde pública incapaz de atender dignamente sua população e uma persistente crise fiscal; agora, os números da violência revelam que, por trás da propaganda oficial, há um Estado que falha justamente naquilo que lhe é mais fundamental: oferecer perspectivas, serviços e segurança aos seus cidadãos.