A eleição já começou. As ideias, não.
Pode ter o nome que quiser – pré-campanha, campanha antecipada ou movimentação política -, mas o fato é que a disputa presidencial de 2026 já está nas ruas. Os candidatos estão se apresentando, ocupando espaços, construindo narrativas e disputando a atenção do eleitor. O problema é que, até agora, o que menos aparece é o que realmente importa: um projeto de país.
A velha política continua predominando. Muito ataque, muita disputa de versões e pouca apresentação de propostas concretas. O eleitor brasileiro está cansado de uma eleição baseada apenas em rejeições, em acusações e em discursos que olham mais para o passado do que para o futuro.
Do presidente Lula, o brasileiro já conhece o roteiro. O que se apresenta até aqui é a continuidade de um modelo que repete fórmulas antigas, com discursos conhecidos e pouca disposição para enfrentar, com inovação e coragem, os grandes desafios nacionais. O país precisa discutir produtividade, educação de qualidade, segurança pública, reforma do Estado, ambiente de negócios e novas oportunidades. Mas o debate insiste em permanecer preso às mesmas promessas de sempre.
O problema não é apenas saber quem será o próximo presidente. O problema é saber qual Brasil será construído a partir de 2027.
Os demais candidatos também precisam sair da zona de conforto. Flávio Bolsonaro precisa mostrar qual é o seu projeto além do sobrenome e em que pontos pretende se diferenciar do pai e do atual governo. Caiado, Zema e outros nomes que se colocam como alternativas precisam apresentar mais do que biografias, experiências administrativas ou críticas ao adversário. Precisam dizer o que farão, como farão e por que o eleitor deve acreditar.
O Brasil não vive uma crise de nomes. Vive uma crise de ideias.
Parece que muitos candidatos ainda acreditam que basta apresentar a própria imagem, repetir frases de efeito e explorar a rejeição ao adversário. Esse tempo passou. O eleitor quer saber quais mudanças virão, quais prioridades serão adotadas e qual será o compromisso real com um país que demonstra evidente cansaço de ver os mesmos problemas e ouvir os mesmos discursos.
A eleição já começou. Mas, até agora, o que se vê é uma disputa por poder. O que o Brasil espera é uma disputa por futuro.