A Universidade Federal do Rio Grande do Norte vai viver, este ano, um momento importante. Depois de bastante tempo sem uma disputa eleitoral para a escolha do reitor, a UFRN volta a experimentar o saudável exercício da competição entre grupos, ideias e projetos diferentes.
E isso é bom.
É legítimo e natural que diferentes segmentos da Universidade queiram participar do processo, apresentando candidatos e propostas para os destinos da instituição.
Democracia pressupõe disputa.
A questão, portanto, não está na existência da eleição, mas em como ela será realizada.
Quais serão as regras? Todos terão as mesmas condições de participação? Haverá tratamento isonômico entre os candidatos? As normas serão claras e previamente conhecidas? Todos terão acesso aos mesmos espaços e oportunidades para apresentar suas propostas?
São perguntas absolutamente legítimas.
Porque uma eleição não se torna democrática apenas porque existe voto.
É preciso garantir liberdade de disputa, igualdade de condições, transparência e respeito ao contraditório.
Não se trata de defender candidato ou grupo. Trata-se de defender a própria UFRN.
A Universidade é uma instituição pública, patrimônio da sociedade potiguar, construída ao longo de décadas pelo trabalho de professores, técnicos, estudantes e tantos outros. O processo de escolha de seu dirigente máximo precisa, portanto, estar acima dos interesses particulares de qualquer grupo.
Quanto maior a disputa, maior deve ser a transparência. E quanto maior a importância da eleição, maior deve ser o cuidado com a isonomia.
Não se pode admitir que candidatos tenham condições diferentes de disputa. Ideias devem enfrentar ideias. Propostas devem enfrentar propostas. E a comunidade universitária precisa ter liberdade e condições para escolher.
A legitimidade do vencedor não depende apenas da quantidade de votos que receber. Depende também da legitimidade do caminho que o levou à vitória.
Por isso, todas as dúvidas precisam ser esclarecidas, as regras devem ser públicas e os critérios, objetivos. Eventuais questionamentos devem ser tratados com transparência, para que ninguém chegue ao resultado carregando a sensação de que houve favorecimento ou desigualdade.
A UFRN tem a oportunidade de dar um exemplo de democracia.
Que haja disputa. Que haja divergência. Que haja debate. Que diferentes grupos apresentem suas propostas.
Mas que todos joguem sob as mesmas regras.
No final, que vença quem conseguir convencer a comunidade universitária. Quem apresentar as melhores propostas. Quem receber a maioria dos votos.
Mas, sobretudo, que todos possam reconhecer que a eleição foi legítima, democrática, transparente e justa.
Porque não basta ter uma eleição.
É preciso garantir que ela seja uma eleição de verdade.