As notinhas deste sábado
“NUNCA A FORTUNA PÕE UMA PESSOA EM TAL ALTURA QUE NÃO PRECISE DE UM AMIGO.” THEODORICO BEZERRA
O sobrenome basta?
O editorial da Folha de S.Paulo deste sábado, intitulado “O isolamento de Flávio”, coloca uma questão que vai além da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República: até que ponto um sobrenome consegue sustentar, sozinho, uma candidatura nacional?
A Folha é bastante direta ao avaliar que a força eleitoral de Flávio estaria menos relacionada a uma liderança política própria e mais à rejeição a Lula e ao apoio de Jair Bolsonaro. O jornal também vê na escolha do filho pelo pai um sinal da dificuldade da família Bolsonaro em ampliar alianças e construir uma alternativa política para além de seu núcleo mais fiel.
É uma análise que merece ser considerada, mas também relativizada.
Na política brasileira, sobrenomes têm peso. Muito peso. Lula, Bolsonaro, Sarney, Collor, Neves e tantos outros demonstram que a memória política e a identificação familiar podem funcionar como poderosos ativos eleitorais. O problema é que herdar votos não significa necessariamente herdar liderança.
Flávio Bolsonaro terá, portanto, um desafio que nenhuma pesquisa de intenção de voto consegue responder antecipadamente: transformar a força eleitoral herdada do pai em uma identidade política própria, capaz de dialogar para além da bolha bolsonarista.
E há uma segunda questão, talvez ainda mais importante. Se a eleição presidencial de 2026 continuar organizada essencialmente em torno da rejeição a Lula e à família Bolsonaro, o eleitor estará novamente diante de uma escolha marcada mais pela negação de um adversário do que pela adesão a um projeto de país.
Esse é o ponto em que o debate deveria avançar.
Mais do que saber se Flávio Bolsonaro é forte ou fraco, isolado ou não, é preciso perguntar o que ele representa politicamente quando retiramos da equação o sobrenome Bolsonaro e a polarização com Lula.
A resposta a essa pergunta talvez seja uma das chaves para entender a eleição de 2026.
Infantino na corda bamba
Gianni Infantino vive talvez o momento mais delicado de sua passagem pela presidência da FIFA. Enquanto crescem os pedidos por sua renúncia – a Federação Norueguesa de Futebol foi uma das vozes mais recentes a defender sua saída – , o dirigente também recebe manifestações de apoio de importantes federações, especialmente da África e do México.
A crise ganhou força depois da controvertida proposta de Infantino de abrir a participação em negócios ligados à Copa do Mundo para investidores privados. O projeto provocou forte reação da UEFA e de outras entidades, além de questionamentos sobre transparência e governança.
O episódio revela uma velha característica do futebol internacional: a política de alianças pesa tanto quanto o resultado dentro de campo.
Infantino ainda não está necessariamente perto de deixar a FIFA. Mas já não parece tão confortável no cargo. A sucessão de críticas, a perda de apoio de algumas federações e a necessidade de buscar publicamente demonstrações de respaldo mostram que sua autoridade foi atingida.
Por outro lado, o apoio que continua recebendo lembra que a FIFA é uma organização de 211 federações nacionais e que a permanência de um presidente depende, em grande medida, da capacidade de construir e preservar maiorias políticas.
No futebol, portanto, a partida de Infantino está longe do apito final.
Mas a crise já começou, e agora o presidente terá de jogar também fora das quatro linhas.
Pesquisa irregular: quem contratou não tinha ligação com quem apareceu na liderança?
A pesquisa do Affare Institute que colocou Álvaro Dias na liderança da disputa pelo Governo, com 32,6%, foi considerada irregular pelo TRE-RN. O levantamento, registrado sob o nº RN-07670/2026 e realizado de 7 a 11 de abril, ouviu 1.500 eleitores e apontou ainda Allyson Bezerra com 27,8% e Cadu Xavier com 25%.
O TRE identificou divergências relevantes entre a metodologia registrada e a amostra efetivamente realizada e determinou a suspensão da divulgação, além de multa de R$ 53.205,00 para a PNH Pesquisa de Mercado e Opinião Pública Ltda., responsável pelo Affare, e para a O2 Soluções Ltda., contratante da pesquisa, identificada como Plano B Soluções.
Um detalhe chama atenção: os comentários são de que a empresa contratante não tem vinculação com Álvaro Dias, como se poderia imaginar, mas com o grupo político ligado ao candidato Cadu Xavier, que aparecia em terceiro lugar no levantamento. O TRE não apontou fraude deliberada ou intenção de favorecer qualquer candidato. Mas o fato está posto. Uma leitura mais atenta pode levar o leitor a conclusões que vão além dos números da pesquisa.

Pilulas
- O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negou o pedido dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro para visitá-lo no Dia dos Pais.
- E os consignados, hein? O servidor fez a parte dele: teve o dinheiro descontado religiosamente do salário. O problema é que o Governo do Estado não teria feito a sua – repassar os valores ao Banco do Brasil. A conta já estaria na casa dos R$ 400 milhões. O dinheiro saiu do contracheque, mas aparentemente não chegou ao destino. Agora falta explicar, com clareza, onde está essa montanha de dinheiro.
- O tênis brasileiro João Fonseca, atual 27º colocado no ranking da ATP, conquistou nesta sexta-feira mais uma importante vitória no Masters 1000 do Canadá, em Montreal, ao derrotar o norueguês Casper Ruud, número 14 do mundo. Com o resultado, Fonseca avança às oitavas de final do torneio e confirma, mais uma vez, a rápida ascensão de um dos principais talentos da nova geração do tênis mundial.
- O narrador Luís Roberto está de volta às transmissões da Globo na próxima quarta-feira, no duelo entre Cruzeiro e Flamengo pela Libertadores. Afastado das atividades por um problema de saúde, o profissional não escondeu a emoção de retornar ao trabalho e fazer novamente aquilo que mais gosta. Em sua volta, Luís Roberto também fez questão de agradecer o carinho e as mensagens de apoio que recebeu do público durante o período em que esteve em tratamento.
- O Regime Próprio de Previdência dos Servidores do Rio Grande do Norte fechou o primeiro semestre de 2026 com um déficit de R$ 1,022 bilhão, segundo o Relatório Resumido da Execução Orçamentária do terceiro bimestre.
- É inacreditável a quantidade de análises rasas que se vê hoje na mídia sobre direita e esquerda. Muitas vezes, o debate parece menos interessado em compreender a realidade e mais empenhado em encaixar fatos dentro de narrativas previamente escolhidas. Como torcem, como distorcem.
Aniversariantes
Parabéns aos aniversariantes desta sabado, 08 de agosto: Selma Sá Bezerra, Uianê Pinto Azevedo, Anisio Marinho Neto, Dinaísa Dantas, Rossane Shelman, Maria Lenice Salustino, Katiuscia Macedo, Iana Fernandes, Allan César Macena
Manchetes
Folha de S.Paulo – Big techs reduzem medidas para eleição e terão novas regras do TSE para cumprir
O Globo – Brasil tem duas medidas protetivas a mulheres por minuto em 2026
O Estado de S. Paulo – Desmatamento na Amazônia tem o maior recuo da década
Efemérides – Hoje é ..
Dia do Pedestre – Dia do Balonismo – Dia do Infinito – Dia de Combate ao Colesterol – Dia do Gato