… pelo que se viu até agora, a campanha eleitoral de 2026 não será apenas radical. Será além disso. Pelas peças que já começam a ocupar o rádio e, principalmente, a televisão, o eleitor está diante de uma sucessão de versões convenientes, meias-verdades, omissões e promessas embaladas como se fossem fatos.
… que tem propaganda eleitoral que parece ter descoberto uma nova modalidade de verdade: a verdade conveniente. Não é exatamente mentira. Também não é exatamente verdade. É aquela informação cuidadosamente editada para produzir a impressão desejada.
… a rua diz é que começou a funcionar a fábrica de versões. Fato vira narrativa, promessa vira realização e meia-verdade ganha embalagem de verdade absoluta. Tudo muito bem produzido, naturalmente.
… que na televisão, tudo parece ter dado certo. A economia vai bem, o povo está feliz, os problemas estão sendo resolvidos e o futuro é promissor. Falta apenas combinar essa realidade produzida pela propaganda com a realidade que o eleitor encontra quando sai de casa.
… que podem repetir a mesma versão várias vezes. O eleitor pode até ouvir calado, mas não significa que esteja acreditando. Há uma diferença enorme entre audiência e convencimento.
… a rua diz que certas campanhas vivem de transformar o passado em propaganda eleitoral. Tudo o que deu certo é mérito total de quem está no palanque; o que deu errado, misteriosamente, não tem responsável.
… que se este é apenas o começo, imagine quando a campanha esquentar. O radicalismo promete pouco diante do que pode vir pela frente. O eleitor que prepare os ouvidos – e, principalmente, o discernimento.
… que pode-se controlar a propaganda, a realidade, felizmente, não obedece a roteiro. E será ela, muito mais do que os comerciais, que cobrará a conta no dia da eleição.
… a rua diz que essa mania de tratar adversário como inimigo já passou de todos os limites. Quem não aplaude é atacado; quem discorda é desqualificado; quem não se submete é tratado como adversário a ser destruído. Isso não é força política. É intolerância.
… que respeitar só quem apoia é fácil. Difícil – e verdadeiramente democrático – é respeitar quem pensa diferente, quem critica, quem questiona e até quem vota contra. Político que só sabe conviver com aplauso ainda não aprendeu a conviver com democracia.
… que há algo ainda mais grave: quando o ataque vira método, o respeito deixa de ser princípio e passa a ser moeda de troca. Respeita-se o aliado; agride-se o adversário. E, nesse ambiente, quem perde não é apenas o adversário. Perde a própria democracia.
… a rua diz que “Quem precisa destruir o adversário para parecer grande já confessou, sem perceber, o tamanho que tem.“