Desde que teve seu nome lançado como pré-candidato ao Governo do Estado, o secretário Cadu Xavier não conseguiu transformar a visibilidade institucional em densidade política. Passados os primeiros movimentos, chama atenção a dificuldade do projeto em atrair novas lideranças, especialmente fora do círculo tradicional da aliança que sustenta o seu partido. Não houve até agora nenhuma adesão que ampliasse o campo político da candidatura ou sinalizasse crescimento para além do já conhecido.
Outro ponto sensível é a incapacidade de atuar fora dos limites dessa aliança. Em vez de explorar um caminho mais amplo, dialogando com setores independentes e com a sociedade civil, a pré-campanha acabou se acomodando dentro de um recorte ideológico mais à esquerda, restrito ao ambiente partidário. Com isso, Cadu abriu mão de disputar espaços fora da bolha política que já lhe é favorável.
Isso chama ainda mais atenção porque o candidato possui atributos pessoais que poderiam ser melhor aproveitados: boa qualificação técnica, capacidade de comunicação, postura educada, trato gentil e uma imagem pública que poderia dialogar com segmentos moderados do eleitorado. No entanto, esses diferenciais não são convertidos em uma estratégia de expansão política.
Como neófito, talvez falte a Cadu Xavier a leitura de experiências políticas vitoriosas no Rio Grande do Norte em que candidatos, mesmo sem grande suporte entre lideranças, buscaram apoio direto na sociedade, “pulando” intermediários e falando com o eleitor comum. Esse movimento, que poderia oxigenar o projeto, simplesmente não aconteceu.
O resultado é visível: além de não crescer, a candidatura não consegue conter o esfacelamento do grupo político que elegeu a governadora Fátima Bezerra. As fissuras se aprofundam e lideranças que antes compunham esse campo migram, a passos largos, para outras candidaturas, enfraquecendo ainda mais o projeto governista.
Quem não dita o rumo da própria campanha de forma estratégica quase sempre termina refém das circunstâncias e, mais cedo ou mais tarde, colhe o abandono político.