Na manhã desta terça-feira (10), a governadora Fátima Bezerra (PT) fez a última leitura da mensagem anual do Executivo do mandato na Assembleia Legislativa. Clima de despedida, tom de retrospectiva e aquele conhecido exercício de olhar pelo retrovisor, com direito a narrativa bem ensaiada.
No discurso, a governadora Fátima reforçou que nunca fez política por interesse pessoal. Para provar, recorreu a dois episódios clássicos do álbum de sacrifícios: em 2002, abriu mão da reeleição tranquila como deputada estadual para atender a um pedido de Lula e disputar vaga de federal; em 2010, deixou outra reeleição quase certa para concorrer ao Senado, também a pedido do partido. Política difícil, segundo a própria, mas sempre altruísta.
Agora, o roteiro se repete. A candidatura ao Senado teria o aval do PT nacional e do presidente Lula, reafirmado, convenientemente, em encontro recente em Salvador. Prioridade absoluta, garantem.
No plano local, a governadora admitiu o óbvio: a Assembleia não tem hoje maioria para eleger, por via indireta, quem assumiria o governo após sua eventual renúncia e a vacância do cargo. Cadu Xavier segue como nome do PT para a eleição direta, enquanto Ezequiel Ferreira surge como fiel da balança no tabuleiro.
No fim, poucas novidades. A estratégia foi clara: comparar o Estado de hoje com o de 2019 e garantir que, segundo o governo, está tudo bem melhor. Pode?
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil