A partir de 1º de agosto, a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina passará para 32%. Antes era de 27%, depois foi para 30% e agora ganha mais dois pontos percentuais. A pergunta que continua sem resposta convincente para o consumidor é simples: qual foi o benefício prático dessa escalada?
Quando a mistura subiu para 30%, prometeram vantagens econômicas, ambientais e energéticas. O motorista, porém, continuou chegando ao posto e pagando caro. O preço não despencou, o poder de compra não aumentou e a sensação ao abastecer permaneceu a mesma: cada vez mais dinheiro para cada vez menos gasolina.
O curioso é que o debate sempre acontece nos gabinetes, nas agências reguladoras e nos ministérios. O cidadão, que é quem paga a conta, apenas recebe a notícia de que agora terá uma proporção ainda menor de gasolina no tanque, sem que isso represente uma redução perceptível no valor final do combustível.
No ritmo em que as coisas caminham, talvez em alguns anos a discussão não seja mais sobre quanto etanol existe na gasolina, mas sobre quanto de gasolina ainda existe na mistura.
Enquanto isso, o consumidor segue exercendo seu papel favorito nas políticas públicas brasileiras: financiar a experiência e torcer para que alguém explique depois por que ela foi necessária.