A velha política da desconstrução: agora é a vez de Ezequiel Ferreira
Ainda nem aconteceu o evento marcado para este sábado, quando o deputado estadual Ezequiel Ferreira e seu grupo político deverão oficializar apoio à pré-candidatura do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, ao Governo do Estado, e os primeiros sinais de uma velha prática da política potiguar já começam a aparecer: a tentativa de desqualificar quem decide seguir um caminho diferente.
Em vez do debate político, das ideias e dos projetos para o futuro do Rio Grande do Norte, surgem críticas apressadas, questionamentos carregados de ressentimento e ataques pessoais vindos de setores ligados ao grupo governista. É como se o direito de divergir tivesse sido abolido e qualquer movimento fora da cartilha oficial passasse a ser tratado como uma afronta imperdoável.
A política democrática pressupõe escolhas. E escolhas, naturalmente, produzem alinhamentos e reposicionamentos. O que não deveria ser natural é a transformação do adversário circunstancial em alvo permanente de campanhas de desgaste.
Ezequiel Ferreira conhece bem esse roteiro. Nos últimos meses, viu seu aliado e amigo Walter Alves ser alvo de ataques duros, muitas vezes acompanhados por insinuações e narrativas que pouco dialogavam com os fatos. Agora, antes mesmo de anunciar oficialmente sua posição, já começa a experimentar o mesmo tratamento.
As redes sociais, infelizmente, tornaram-se o terreno fértil para essa lógica da desconstrução. A divergência deixa de ser política e passa a ser pessoal. O debate perde espaço para a acusação. A argumentação cede lugar ao julgamento sumário.
O episódio revela muito mais sobre o ambiente político atual do que sobre aqueles que estão mudando de posição. Demonstra a dificuldade de alguns grupos em conviver com a pluralidade e com a autonomia de lideranças que decidem construir seus próprios caminhos.
A democracia se fortalece quando as divergências são enfrentadas com argumentos. Quando a resposta a uma decisão política é a tentativa de destruir reputações, quem perde não é apenas o alvo dos ataques. Perde a própria política.