Em meio a um volume incomum de campanhas publicitárias, os governos federal e estadual intensificam a divulgação de supostas realizações voltadas à população do Rio Grande do Norte. As peças, espalhadas em TV, rádio e interneta apostam em uma narrativa de avanços concretos, mas, na prática, o que se vê em muitos casos ainda está longe de virar realidade.
O que chama atenção não é apenas a intensidade da propaganda, mas o timing. Projetos que mal saíram do papel já ganham status de conquista. É o caso do prometido Hospital Metropolitano e da duplicação da BR-304, apresentados como marcos de desenvolvimento, embora ainda estejam em fases iniciais e com longo caminho até a conclusão.
A estratégia não é nova, mas parece ter sido elevada a outro patamar: primeiro vem a campanha, depois, com sorte, a obra. O discurso antecipa entregas, cria a sensação de progresso e tenta consolidar, no imaginário popular, resultados que ainda não existem de fato.
O histórico recente ajuda a explicar o ceticismo. A duplicação da chamada Reta Tabajara, também na BR-304, é um exemplo emblemático. Com cerca de 14 quilômetros, o trecho foi anunciado ainda em 2014. Mais de uma década depois, a obra segue inacabada, tornando-se símbolo de promessas que avançam mais rápido na publicidade do que no concreto.
Diante desse cenário, cresce a percepção de que a comunicação oficial tem priorizado a construção de uma narrativa otimista, mesmo quando os dados e o andamento das obras não acompanham o mesmo ritmo. A propaganda, aparentemente enganosa, cumpre seu papel político, mas também levanta questionamentos sobre transparência e responsabilidade na apresentação das informações.