Cuba inaugurou nesta segunda-feira (9) mais um capítulo do seu realismo mágico: aeroportos internacionais funcionando sem combustível para aviões. Pela primeira vez, a ilha emitiu um Notam (Aviso a Aviadores) informando as companhias aéreas sobre a falta de querosene, como quem avisa que acabou o café, só que no caso, acabou o combustível que mantém o país conectado ao mundo.
O resultado foi imediato. Voos internacionais passaram a sair de Havana já planejando paradas técnicas em outros países para reabastecer. A Air Canada, maior operadora do turismo cubano, preferiu a solução mais simples: suspendeu tudo. Outras companhias entraram no modo “remarque sem custo”, prática cada vez mais comum quando se voa para a ilha.
O governo atribui a crise ao bloqueio dos Estados Unidos e ao fim do petróleo venezuelano, interrompido após a saída de Nicolás Maduro. Enquanto isso, hotéis fecham, hóspedes são transferidos, luzes se apagam e o turismo, último suspiro econômico do regime, perde fôlego.
Em 2018, Cuba recebeu quase 5 milhões de turistas. Em 2025, mal chegou a 1,8 milhão. Falta combustível, falta comida, falta remédio, falta energia, falta moeda forte, mas nunca falta explicação externa.
Com PIB em queda, apagões frequentes e uma economia sem resposta estrutural, sobra ao país a ajuda humanitária. O México, que antes mandava petróleo, agora manda navio militar com alimentos e produtos de higiene.
A revolução segue firme. Só não anda, não voa e, cada vez mais, não ilumina. Até quando?
Foto: wirestock no Freepik