O debate público no Rio Grande do Norte precisa recuperar o foco. Em vez de concentrar esforços na análise dos problemas atuais e na busca por soluções, setores do atual governo continuam recorrendo ao passado como principal argumento político. O governo anterior terminou em dezembro de 2018, mas, passados quase oito anos, ainda aparece como justificativa recorrente para explicar dificuldades que precisam ser enfrentadas no presente.
É perceptível a estratégia de transformar o passado no centro permanente do debate, como forma de evitar uma discussão mais profunda sobre o presente. Trata-se de uma prática política antiga, conhecida e amplamente utilizada: deslocar o foco dos problemas atuais para buscar explicações em acontecimentos anteriores. Mas essa estratégia, repetida à exaustão, já não convence a população, que espera respostas objetivas sobre os desafios que enfrenta hoje.
A política, muitas vezes, utiliza a memória como instrumento de disputa. Mas transformar administrações anteriores em explicação permanente para os desafios atuais acaba desviando a atenção daquilo que realmente importa: a situação fiscal e financeira do Estado, a capacidade de gestão, o planejamento e as medidas necessárias para garantir um futuro mais equilibrado.
Governos são eleitos para administrar o tempo presente. A população não espera apenas diagnósticos sobre heranças recebidas; espera decisões, prioridades e resultados. O cidadão quer saber quais são as soluções para melhorar a prestação dos serviços públicos, estimular o desenvolvimento econômico, atrair investimentos e criar novas oportunidades.
A discussão sobre o passado pode e deve existir, desde que tenha caráter histórico e contribua para evitar a repetição de erros. O que não contribui para o avanço do Estado é transformar acontecimentos de quase uma década atrás em uma narrativa permanente de justificativa.
O norte-rio-grandense sabe que a política precisa olhar para frente. O que passou faz parte da história, mas o futuro depende das escolhas feitas agora. O desafio não é explicar eternamente o que aconteceu, mas apresentar caminhos para superar os problemas que existem hoje.
Mais do que uma disputa de versões sobre o passado, o Rio Grande do Norte precisa de um debate maduro sobre o presente e de uma agenda capaz de construir um futuro melhor para todos.