A mais recente pesquisa Tribuna do Norte/Consult praticamente consolida, neste momento da pré-campanha, um cenário de segundo turno na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. Os números apontam Allyson Bezerra na liderança, com 34,59% das intenções de voto, seguido por Álvaro Dias, com 29%. O candidato do PT, Cadu Xavier, aparece em terceiro lugar, com 11,24%. Como nenhum candidato se aproxima da maioria absoluta dos votos válidos, o levantamento projeta, caso esse quadro seja mantido, uma eleição decidida em segundo turno.
O dado mais relevante da pesquisa talvez não seja apenas a liderança de Allyson Bezerra, mas uma possível polarização entre ele e Álvaro Dias. Enquanto ambos ocupam o centro da disputa, Cadu Xavier permanece distante, apesar de ser o candidato apoiado pelo governo estadual.
Essa realidade chama atenção por uma razão evidente: Cadu Xavier não é apenas o candidato do PT. Ele é também um dos principais formuladores e executores da política econômica do governo Fátima Bezerra, tendo conduzido a gestão fiscal do Estado durante toda a administração. Sua candidatura, portanto, está inevitavelmente associada aos resultados econômicos e financeiros do governo.
É justamente nesse ponto que reside um dos maiores obstáculos de sua campanha. O Rio Grande do Norte atravessa um cenário fiscal marcado por sucessivos debates sobre dificuldades financeiras, limitações de investimento, crescimento das despesas obrigatórias e constantes discussões envolvendo a capacidade de gestão do Estado. Independentemente das causas estruturais desse quadro, que incluem fatores nacionais, históricos e decisões de diferentes governos, é natural que parte do eleitorado associe essa realidade ao secretário que esteve à frente da condução da política fiscal durante todos os dois mandatos.
Ao mesmo tempo, Cadu Xavier também carrega o peso político de representar um governo cuja avaliação enfrenta elevados índices de desaprovação em diferentes levantamentos de opinião. Essa dupla associação – à administração estadual e à condução da política fiscal – pode ajudar a explicar por que sua candidatura ainda não conseguiu romper a barreira dos 11% das intenções de voto. Trata-se de uma hipótese de análise política, e não de uma conclusão estatística derivada apenas da pesquisa.
Enquanto isso, Allyson Bezerra e Álvaro Dias disputam praticamente o mesmo espaço eleitoral, representando alternativas ao governo atual. Allyson chega fortalecido pela imagem construída à frente da Prefeitura de Mossoró, enquanto Álvaro Dias procura consolidar sua experiência administrativa e ampliar seu alcance junto ao eleitorado do interior.
Ainda falta pouco mais de um mês para o início oficial da campanha, período em que alianças, programas eleitorais, debates e o próprio ambiente político poderão modificar o cenário. Mas a fotografia captada pela pesquisa TN/Consult mostra um quadro cada vez mais definido: uma disputa principal entre Allyson Bezerra e Álvaro Dias e um PT que, até agora, não conseguiu transformar o peso de sua estrutura política em intenção de voto.
Se os números permanecerem próximos dos atuais, o desafio de Cadu Xavier deixará de ser apenas crescer eleitoralmente. Será convencer o eleitor de que representa mais do que a continuidade de um governo contestado e de uma gestão econômica que, aos olhos de muitos potiguares, não conseguiu entregar resultados capazes de alterar a percepção sobre a situação financeira do Estado.