Ao justificar sua permanência no Governo do Estado durante entrevista concedida à jornalista Mara Godeiro, da TV Tropical, nesta terça-feira, a governadora Fátima Bezerra fez duras críticas ao vice-governador Walter Alves.
“Nós fomos traídos pelo vice-governador”, afirmou. Em seguida, elevou ainda mais o tom ao classificar a postura de Walter Alves como uma “demonstração clara de fraqueza política” e de “falta de espírito público”.
As declarações evidenciam o aprofundamento da ruptura política entre os dois aliados de chapa e revelam um ambiente cada vez mais marcado por ataques pessoais e públicos. Divergências e disputas fazem parte da democracia. O debate político é saudável e necessário. Mas há uma diferença importante entre confrontar ideias e desqualificar adversários.
Walter não falou de Fátima, falou sobre os números fiscais e financeiros do Estado, muito ruins. E só.
Há muito tempo a política do Rio Grande do Norte parece ter abandonado a tradição da convivência respeitosa entre os que pensam diferente. O contraditório deu lugar à hostilidade permanente, e a divergência, muitas vezes, transformou-se em ressentimento exposto diante das câmeras.
A história mostra que é possível fazer política com firmeza sem abrir mão da civilidade. Quando a elegância desaparece do debate público, perde a política, perdem as instituições e perde, sobretudo, a sociedade, que espera dos seus líderes exemplos de equilíbrio, respeito e espírito republicano.
Que ressuscitem a educação, a gentileza e o respeito, virtudes sem as quais a política se transforma apenas em conflito.