Trairagem.
Nos bastidores da política potiguar, o que não falta é roteiro para série de suspense. E dos bons.
Um dos recentes capítulos envolveu o controle do diretório regional do MDB no Rio Grande do Norte, partido sob o comando do vice-governador Walter Alves desde 2019.
Corre nos corredores que houve uma movimentação articulada pelo ex-deputado federal Henrique Eduardo Alves em sintonia com a governadora Fátima Bezerra para assumir o controle da legenda no Estado.
A operação teria como objetivo reposicionar o partido dentro do tabuleiro político local, mantendo-o alinhado ao governo estadual e, claro, reorganizando forças para 2026.
Mas política é jogo de xadrez e, às vezes, de pôquer também.
Desconfiado da movimentação e sentindo o cheiro de pólvora pelas redes sociais, portanto, antes do estampido, Walter Alves não perdeu tempo. Pegou o avião, foi a Brasília, conversou com a executiva nacional e tratou de blindar sua posição. Resultado: não apenas manteve o controle do diretório regional, como ampliou seu prazo à frente do partido até 2027.
Xeque evitado.
Nos bastidores, há quem diga que Henrique teria jogado alto: manter o MDB na base de Fátima, fortalecer a aliança com o Planalto e, com o apoio dela e do presidente Lula, viabilizar um eventual mandato-tampão na Assembleia Legislativa, caso o cenário abrisse essa possibilidade.
Especulação? Evidente.
Prova concreta? Nenhuma apresentada publicamente.
Mas que houve tentativa de movimentação para tomar o partido, houve. Isso é o que se comenta, em voz alta e sem tanto constrangimento, nos ambientes onde a política real acontece.
Quem quiser que negue.
No fim das contas, a lição permanece a mesma: na política, lealdade é circunstancial, poder é prioridade e desconfiança é instinto de sobrevivência.
E, ao que tudo indica, Walter ouviu o próprio instinto a tempo.