Desde o início, a pré-campanha tem revelado uma estratégia clara: tirar os adversários da zona de conforto. Aos poucos, o debate vai sendo marcado menos por propostas estruturantes e mais por gestos simbólicos, atos prosaicos e movimentos de impacto imediato.
Na ausência de apresentações consistentes de projetos de desenvolvimento e de recuperação das finanças do estado, o que ganha espaço são episódios pontuais e, muitas vezes, provocativos. Soma-se a isso a miudeza das trocas entre candidatos, algumas no limite da inconsequência – e, em certos casos, ultrapassando a linha da grosseria.
O curioso é que, nesse cenário, o que mais se registra é a repetição de atitudes do candidato Alysson Bezerra pelos adversários. Foi assim com o uso da bandeira do RN, com a imagem montado a cavalo e até com o gesto de pular em açude. A sequência parece seguir um roteiro previsível: primeiro vem a ação, depois a reação – e, logo em seguida, a reprodução.
Mais do que coincidência, isso revela uma dinâmica em que um movimento simbólico consegue pautar o restante da disputa. É quase uma questão de paciência: o gesto surge, chama atenção e, pouco depois, os demais candidatos passam a trilhar o mesmo caminho.
Enquanto isso, o debate sobre ideias estruturantes continua em segundo plano e a pré-campanha segue sendo conduzida mais por imagens e provocações do que por propostas capazes de enfrentar os desafios reais do estado.
Na política como na vida, a originalidade aponta caminhos, a imitação confirma quem chegou primeiro.