A Globo não entendeu como o público quer assistir esporte.
A volta da Fórmula 1 à Globo trouxe de volta uma marca tradicional das transmissões esportivas, mas também ressuscitou um modelo que parece não acompanhar os hábitos do público atual.
Além de uma narração que muitos torcedores consideram pouco envolvente, especialmente para quem se acostumou durante décadas com a emoção de Galvão Bueno e, mais recentemente, de Sérgio Maurício nas transmissões da Band, a emissora insiste em um erro que frustra o telespectador: encerrar a transmissão antes da cerimônia do pódio.
Assim que a corrida termina, vem o anúncio de que “o pódio será mostrado no Esporte Espetacular” ou que a cobertura continua no Sportv. Na prática, a experiência fica incompleta. Afinal, o pódio não é um detalhe; ele faz parte do espetáculo. É ali que acontecem as primeiras entrevistas, a celebração dos pilotos, a execução do hino nacional, o tradicional banho de champanhe e as imagens que, muitas vezes, acabam se tornando as mais marcantes do fim de semana.
A estratégia de interromper a transmissão para direcionar o público a outro programa ou a um canal por assinatura parece cada vez mais distante da forma como as pessoas consomem esporte. Quem acompanhou toda a corrida dificilmente vai esperar pelo Esporte Espetacular ou migrar para um canal pago apenas para assistir aos minutos finais da cobertura. Na maioria das vezes, simplesmente desliga a televisão. Foi o meu caso: tchau!
Enquanto isso, a CazéTV vem demonstrando que o sucesso está justamente no caminho oposto: oferecer transmissões completas, mantendo o espectador até o último instante, sem criar barreiras artificiais entre o evento e seu desfecho. O esporte é uma experiência contínua, e a emoção não termina quando a bandeirada é dada.
A Globo continua sendo uma das maiores emissoras do mundo e tem enorme capacidade de produzir grandes transmissões. Mas, se pretende reconquistar de vez os apaixonados pela Fórmula 1, talvez precise entender que o público de hoje não quer apenas assistir à corrida. Quer viver o espetáculo inteiro, do apagar das luzes ao último gole de champanhe no pódio.
A mesma lógica se repete na Copa do Mundo. Apesar de deter os direitos de todas as partidas, a Globo escolhe transmitir apenas alguns jogos, em critérios que o telespectador dificilmente compreende. Um exemplo foi a ausência de Colômbia x Portugal na programação da emissora ontem. Quem ganhou com isso foi a CazéTV, que exibiu a partida e reforçou a preferência de um público cada vez menos disposto a aceitar uma cobertura incompleta.